Por que movimentos de relógios são chamados calibres?

O site internacional de relojoaria Hodinkee trouxe à tona uma questão bastante comum aos entusiastas de relojoaria em geral: o uso do termo calibre para a denominação de movimentos de relógios. Jack Forster, editor-chefe do veículo, realizou uma pesquisa bastante interessante para entender o motivo do emprego do termo. Leia abaixo:

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A palavra “calibre” possui uma ampla gama de significados. Mas no mundo relojoeiro, é um sinônimo para movimento, ou mecanismo. Praticamente em toda a indústria esta palavra aparece na nomeação de um mecanismo. É aquele tipo de palavra que você vê um milhão de vezes passar pelos seus olhos e sequer imagina o motivo de ela ser usada em dois mundos completamente distintos: no das armas de fogo e no universo relojoeiro. O site americano Hodinkee realizou uma busca bastante interessante para encontrar o significado de tudo isso.

Certamente, pelo país que vivemos (Brasil), você já é familiarizado com o termo do universo das armas de fogo: ele se refere ao diâmetro de um projétil, ou ao diâmetro interno do canhão de uma arma. Um calibre .50 (com ou sem o uso de ponto antes do número) possui 0,5 polegada de diâmetro. O uso da palavra calibre vem do francês “calibre”, que se origina do arábico renascentista “qalib” – um molde para fundição de balas – que também tem sua origem ainda antes, com o termo grego “kalapous”, uma referência a um molde de madeira onde são fabricados sapatos.

Calibre 240 HU, em que a abreviação HU significa Hora universal

Calibre 240 HU, em que a abreviação HU significa Hora universal

De acordo com a Fundação da Alta Relojoaria (FHH), o termo calibre foi utilizado pela primeira vez no trabalho do fabricante de relógios inglês Henry Sully, que trabalhava na França e usou a palavra perto do ano de 1715, para denotar as dimensões dos diferentes componentes do movimento, como pilares, engrenagens, barris. Com o passar do tempo, o verbete passou a ser utilizado para indicar o formato do movimento, suas pontes, a origem do relógio, o nome de seu fabricante, etc. Gradualmente passou a ser uma referência ao nome do movimento por si só.

A semelhança entre o mundo das armas de fogo e o da relojoaria é que, em ambos os casos, eles deveriam se referir ao diâmetro ou a algo que deveria ter seu diâmetro especificado, por metonímia.

A prática mais comum atualmente é referir-se ao movimento como “Calibre xyz123”. De maneira interessante, a palavra calibre também é comumente usada para referir-se a uma pessoa de certa posição social em algumas culturas.

A prática geral padrão no universo da relojoaria de língua francesa era do uso da palavra calibre seguida pelo diâmetro do movimento e, depois, com frequência, uma abreviação das funções daquele movimento em específico. Por exemplo, no arquivo da Jaeger-LeCoultre de 1877 (quando a companhia se chamava Manufacture LeCoultre Borgeaud & Cie), que lista um de seus movimentos como calibre 16T, que significa que era um movimento de 16 linhas com função turbilhão. No universo da relojoaria, uma linha representa a medida de 2,256 mm, isto significa que um calibre de 16 linhas tem cerca de 36 mm. A unidade de medida linha ainda é usada no mundo da relojoaria e, estranhamente, na medida de botões e também nas fitas usadas ao redor de chapéus masculinos.

Esta não é a única ligação entre a relojoaria e a indústria armamentista. Nos Estados Unidos, o então chamado sistema americano de relojoaria foi um dos primeiros do mundo a fazer uso extensivo de produção em massa com métodos de precisão e maquinário para permitir a produção de peças de relógios intercambiáveis. O sistema foi adaptado por fabricantes como Waltham com métodos de manufatura usados pelo arsenal federal em Springfield, Massachusetts, onde era usado para produção de rifles em série.

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Louis Westphalen, que trabalha no Hodinkee, nota que nos anos que antecederam a Segunda Guerra e depois disso, a tendência era reduzir o uso do tamanho e função de um calibre para designá-lo, uma vez que o número de mecanismos semelhantes entre si aumentou consideravelmente. Porém, antes mesmo da Primeira Guerra Mundial este tipo de nomenclatura já não era universal, temos o calibre Valjoux 22 como exemplo. Esta prática ainda é viva aqui ou ali, eventualmente. Patek Philippe, por exemplo, tem em sua linha o calibre 17”’ LEP PS IRM: 17 linhas, lepine (um tipo de construção de movimento que deixa o calibre mais compacto), petite seconde (pequenos segundos), indication réserve de marche (com indicação de reserva de energia).

 
 

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3 Comentários

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  1. fernando justo disse:

    estão de parabens sou relojoeiro e estou aprendendo muito muito obrigado

  2. Valdemar Ribeiro Jr disse:

    Matéria interessante, tenho 70 relogios e não sabia disto ! Obrigado

  3. Valdemar Ribeiro Jr disse:

    Não entendi o motivo da moderação! Oque escrevi é pura verdade!

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