A história da Bulova em 10 ícones

Escrito por , 23/12/2016 em Bulova, Citizen, Especiais, Omega com 1 Comentário

Bulova_Precisionist_1000-570x939Fundada em 1875 pelo imigrante da Boêmia Joseph Bulova, Bulova Watch Company tem sido responsável por diversos marcos relojoeiros no mundo em seu mais de um século de história. A inovação continua ainda no século 21. Aqui, você passará pela história da marca em 10 relógios históricos e, principalmente, o que cada um deles significou e significa para a companhia e para a indústria como um todo.

Bulova se tornou conhecida também por diversos “primeiros” no universo dos relógios, como a padronização de partes de relógios, a apresentação da primeira linha de peças exclusivamente feminina e ao colocar no ar o seu primeiro comercial de rádio. No ano de 1927, quando o lendário aviador Charles Lindbergh se tornou o primeiro homem a realizar um voo sem escalas sobre o oceano Atlântico. Este feito fez com que ele ganhasse um prêmio de US$ 1 mil da marca e a oportunidade de se tornar o embaixador da companhia para o relógio Lone Eagle, que comemorava este voo-recorde. O modelo original, que custava apenas US$ 37,50 era descrido pela companhia como “uma bela caixa gravada e revestida em ouro branco 14 quilates com um cristal inquebrável no verso que protegeria o movimento de poeira. A peça conta com um movimento Bulova de 15 joias.” Lindbergh descrevia o relógio nos anúncios como “prazer em vestir, mantém a hora precisa e é uma beleza”. Lone Eagle se tornou o relógio mais vendido da companhia da época.

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No início dos anos 1940, com a ameaça da Segunda Guerra e o envolvimento iminente dos Estados unidos no conflito, a Bulova fechou um contrato com o governo americano para produzir instrumentos que auxiliariam no esforço do país na guerra. Muitos deles tiveram pouco envolvimento com a marcação de horas, como altímetros, variômetros, telescópios, entre outros. No entanto, a companhia também forneceu relógios que foram nomeados como itens oficiais das tropas americanas. Eles eram chamados Bulova “Hack” Watch e equipados com um aparato especial com trava que permitia uma sincronização precisa, um recurso importante nos planejamentos de missões de guerra. Como uma das poucas relojoarias americanas, Bulova levou seu dever patriótico a sério: como muitos de seus empregados eram homens e tiveram que deixar seus serviços para o combate, a companhia passou a ser cuidada essencialmente por mulheres. A empresa, então, redirecionou 25% de sua publicidade para a promoção de títulos de guerra e selos, um serviço pelo qual foi premiada com um certificado de serviço distintivo dado pelo Secretário do Tesouro Nacional Henry Morgenthau Jr.

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Bulova 23 – nomeado assim por suas 23 joias que integravam o movimento automático – foi lançado nos anos 1950 e trouxe uma grande popularidade para uma invenção da companhia utilizada pela primeira vez em um relógio no ano de 1953: o alarme de pulso mecânico, um marco no universo relojoeiro que viria a ser adotado por outras marcas. Os relógios Bulova 23 eram conhecidos por suas molas principais “inquebráveis” e resistentes a choques e caixas a prova d’água, que eram inteiramente fabricadas nos Estados Unidos. Esta série foi um dos primeiros bem-sucedidos relógios lançados sob o comando de Omar Bradley, general condecorado da Segunda Guerra Mundial que entrou na companhia como presidente do conselho dos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento.

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Os anos 1960 testemunharam a mais famosa e influente contribuição da companhia à ciência da relojoaria. Bulova Accutron, o primeiro relógio eletrônico do mundo, foi apresentado na Feira Mundial da Relojoaria em Basileia (hoje chamada Baselworld), na Suíça. O ano era 1960 e o relógio incorporava uma tecnologia que utilizava um garfo que operava a 360 Hz, ligado por um transistor de oscilação eletrônica para entregar as funções de marcação de hora ao invés de uma roda de ajuste padrão. A criação do engenheiro Max Hetzel (nativo de Basileia) entregava uma oscilação de cerca de 360 vezes por segundo, algo que era 150 vezes mais rápido do que um relógio mecânico tradicional. Isto garantia uma precisão com desvio de apenas um minuto por mês. Accutron se distinguia por seu zumbido ao invés do tradicional tique-taque, pois o som era gerado pelo garfo. O primeiro Bulova Accutron, chamado Spaceview 214, apresentava um mostrador aberto que permitia a visualização do funcionamento do movimento e ainda se desviava dos padrões relojoeiros por não apresentar uma coroa na lateral do relógio. Este item era posicionado no verso da caixa. Accutron, então, tornou-se o pilar do portfólio da marca desde então. Em 2010, ano do 50° aniversário do modelo, a Bulova lançou uma réplica em edição limitada do modelo Spaceview, mas com um movimento mais moderno.

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A companhia ainda emprestou esta expertise ao governo americano no final da década de 1950 na corrida espacial contra a União Soviética, antes mesmo de seu uso comercial. Durante sua parceria de décadas com a NASA, a Bulova ajudou a equipar diversas missões em satélites com a tecnologia Accutron para a marcação de horas, começando com Vanguard 1, em 1958. Todos os instrumentos de marcação de horas, incluindo os relógios do painel de instrumentos, a bordo de missões de naves tripuladas da NASA, que levaram, inclusive, à primeira caminhada na lua em 21 de julho de 1969, foram equipados com a tecnologia do garfo Accutron (naquele momento, até mesmo cientistas da NASA não saberiam como um relógio mecânico funcionaria em condições de baixa gravidade). Claro que a história da relojoaria relata que um Omega Speedmaster Professional ganhou o direito de ser o relógio oficial da NASA e também por ser o primeiro relógio usado na Lua durante a missão da Apollo 11 em 1969. Poucos sabem que Buzz Aldrin também usou um Bulova Accutron sobre Mare Tranquillitatis para ajudar a transmitir dados críticos. Em comemoração a este papel na Corrida Espacial, a Bulova lançou a edição limitada Accutron Astronaut, com a assinatura de Buzz Aldrin no verso da caixa.

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Um modelo Accutron com função cronógrafo chegou à superfície lunar em 1971, no pulso do comandante da missão Apollo 15 David R. Scott. Ele vestiu o relógio, que foi especialmente concebido para suportar as condições lunares como um modelo reserva, após o cristal de seu Omega ter estourado, de acordo com registros. O Bulova de Scott – o único relógio particular a ir à lua – foi recentemente vendido por US$ 1,62 milhão. Para comemorar a venda recorde, a companhia lançou seu Special Edition Moon Watch Chronograph, uma recriação muito fiel do modelo original (que nunca foi disponibilizado comercialmente), mas com um movimento de quartzo de alta frequência, que a marca afirma entregar um altíssimo grau de precisão, perdendo apenas segundos por ano. Ele ainda possui um ponteiro de segundos deslizante para a função cronógrafo, algo bastante raro para relógios de quartzo. O dial em estilo tricompax ainda conta com o que a marca chama de tratamento “super-luminous” nos ponteiros de horas e minutos e apresenta uma escala taquimétrica para o cálculo de velocidade.

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Apelidado como “Stars and Stripes” (estrelas e listras) por colecionadores por sua combinação de vermelho, azul e branco, e apresentado nos anos 1970, Bulova Chronograph C está entre os mais colecionáveis modelos da companhia. O relógio foi descontinuado apenas um ano depois de seu lançamento. Sabiamente desenhado, ele se destaca por diversas razões: sua caixa de 43 mm (bastante grande para a época), mostrador colorido e ponteiros de formato exótico, seu bisel canelado, mas que não realiza rotação, a falta de encaixes tradicionais e sua pulseira em malha de aço que se encaixa diretamente sob a caixa. O movimento é um Valjoux 7736 fornecia marcação de horas e cronógrafo. Apesar de seu curto espaço de tempo no mercado, o relógio é apelativo por suas cores patrióticas aos Estados Unidos e também ao ano de 1976, que marcava os 200 anos da independência dos EUA.

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Como os relógios eletrônicos e de quartzo começaram a ganhar popularidade entre as décadas de 1970 e 1980, a Bulova continuou a seguir em frente com inovações como o modelo Accutron Quartz, o primeiro relógio com cristal de quartzo a ser vendidos nos EUA; ele oferecia uma caixa feita em ouro 18 quilates. Rapidamente a companhia cedeu à grande demanda de relógios digitais ao lançar um modelo Accuquartz com indicação de horas em LCD e também o modelo Computron LED, completamente digital. Ele possuía uma caixa pouco convencional e futurística em formato de trapézio, com a indicação de horas em um dos lados. Este estilo é comumente chamado de relógios para motoristas pois a disposição da indicação não exige que o motorista tira as mãos do volante para a leitura de horas. Para lê-las, o usuário deveria apertar o botão uma vez para a indicação de horas e uma segunda vez para a apresentação da data.

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Em 2008, a japonesa Citizen Watch Co. adquiriu a marca Bulova. Um dos lançamentos mais significantes sob o novo regime foi Bulova Precisionist, considerado “o mais preciso relógio de quartzo do mundo com um ponteiro de segundos deslizante”. A Citizen desenvolveu e manufaturou o movimento Precisionist – em que seu oscilador vibra 262.144 vezes por segundo, oito vezes mais rápido que o relógio de quartzo convencional – para ser usado exclusivamente em relógios Bulova. O oscilador possui três dentes ao invés de dois e funciona como um “ressoador tensional”, o que significa que ele vibra para cima e para baixo, não para frente e para trás, como em relógios comuns. Diferente de modelos comuns que precisam de sinais externos, ou mesmo necessitam recalibração após uma troca de bateria, Precisionist usam baterias de íon de lítio que podem ser facilmente substituídas como relógios de quartzo comum.

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Durante a feira Baselworld 2016, a Bulova apresentou o que chama de primeiro cronógrafo do mundo curvo. Bulova CURV é um feito de engenharia, em que a companhia curvou seu movimento Precisionist e o encaixou em uma caixa ergonômica, curvada e de baixa espessura. A coleção consiste em modelos esportivos e sociais. O principal deles conta com uma caixa com cristal na frente e no verso e é finalizado com uma pulseira em borracha preta. Como já citado, a operação em frequência muito superior a de um movimento de quartzo convencional faz com que o ponteiro de segundos se movimente de maneira contínua, se aproximando muito ao funcionamento de um relógio mecânico convencional.

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