Nossos relógios atendem às mais altas exigências do mercado: Jens Henning Koch, da Montblanc, em entrevista ao WatchTime Brasil

Escrito por , 03/03/2016 em Entrevistas, Montblanc com 0 Comentários

Ano após ano, a Montblanc tem tido o poder de surpreender com seus lançamentos e novas coleções. Não se trata apenas de apelo estético ou a inserção de grandes complicações, mas estas características unidas a valores bastante acessíveis, quando se trata de um mercado onde o céu é o limite.

Para 2016, a marca fez a apresentação da coleção 4810, que não apenas celebra os 110 anos da Montblanc, como busca sua inspiração no universo de viagens transatlânticas, ambiente onde as inovações da maison tiveram início, com a travessia de seus fundadores entre a Europa e os Estados Unidos. A linha é uma releitura da coleção best-seller, apresentada em 2006, na ocasião dos 100 anos da companhia.

Durante o Salão Internacional de Alta Relojoaria, uma das principais do setor de relojoaria do mundo, que aconteceu em Genebra, na Suíça, o WatchTime Brasil teve a oportunidade de conversar com Jens Henning Koch, vice-presidente executivo de marketing da Montblanc Internacional. Na ocasião, Koch nos explicou sobre o posicionamento atual da marca, sobre as características principais envolvidas nos lançamentos da companhia e comentou sobre Davide Cerrato, que trabalhava na Tudor e assumiu o cargo como chefe da divisão de relógios da Montblanc.

Jens Henning Koch

WatchTime Brasil: A Montblanc é uma marca que tem se mostrado cada vez mais moderna, ano após ano. No entanto, em 2016, a apresentação de modelos seguiu para um caminho um pouco mais clássico. Como você explica isso?

Jens Henning Koch: Celebramos 110 anos de história em 2016. Nós queríamos criar um conteúdo que estivesse diretamente ligado ao aniversário da marca e olhar para o que aconteceu na época da fundação: a viagem do nosso fundador para a América, para se inspirar em suas futuras criações. A viagem transatlântica é base da inspiração pioneira, da era do despertar, algo muito inspirador. Então prestamos uma homenagem àquele tempo, buscando, de alguma maneira, deixar isso relevante para a atualidade. Esta foi a principal ideia da coleção: performance para o viajante moderno. Quando retrabalhamos a coleção, temos que ter um tipo de tema, uma ideia principal, senão terminamos otimizando algo, mas largando a temática central. Desta forma, quisemos traduzir a viagem em outros requisitos.

Um dos modelos da coleção 4810, O Montblanc 4810 TwinFly Chronograph 110 Years Edition

Um dos modelos da coleção 4810, O Montblanc 4810 TwinFly Chronograph 110 Years Edition

Como uma marca masculina, nós, ao mesmo tempo, queríamos celebrar a elegância da viagem com uma criação de elegância masculina, uma impressão forte, a manutenção da assinatura da marca: a gravação em guilloché com o emblema da Montblanc no mostrador. Mas também expressar funcionalidade com uma legibilidade bastante clara, com a adição de material luminescente, grandes janelas de data, função de dia e noite e legibilidade para funções cronógrafo, por exemplo. Para a caixa, prezamos pela ergonomia, com encaixes mais curvos e refinados, além de termos aumentado a resistência dos modelos para 50 metros sob a água. É o tipo de consistência em nossos códigos de design. Retrabalhar uma coleção de muito sucesso é sempre a tentativa de manter elementos de assinatura, refinar mais profundamente as funcionalidades, robustez e adicionar performance. Para mais precisão, adicionamos um turbilhão e decidimos desenvolver um movimento completamente novo, que representa uma nova dimensão para a Montblanc. Como o Exotourbillon, que foi trazido para um novo movimento, que precisaria ser fino e criar uma elegância, tivemos que equilibrar itens do movimento para a estética e performance. Com um calibre de 4,5 mm de espessura e reserva de marcha de 50 horas e acabamento em côtes de Genève. O movimento apresenta a capacidade e excelência [da fábrica] de Villeret no desenvolvimento e na elegância de uma peça.

WTBR: Como esses modelos clássicos vão dialogar com as pessoas mais jovens que a marca estava tentando atingir nos últimos anos?

JHK: Quando você olha o nosso portfólio, nos últimos dois anos, nós trabalhamos bastante com peças clássicas. Todas têm um apelo masculino, mas mais esportivo e urbano são os modelos Timewalker. É uma coleção forte e não a vemos como uma peça para pessoas mais velhas, mas sim para aqueles que buscam uma peça fina, com os códigos que descrevi. Não pensamos na idade do nosso consumidor no momento do design de uma peça, mas nos códigos como um todo, quando tratamos de clássicos, esportivos e elegantes.

WTBR: Recentemente Davide Cerrato, que atuava na relojoaria Tudor, assumiu o cargo como chefe da divisão de relógios da Montblanc. Como você acha que ele vai influenciar a marca de agora em diante?

JHK: Essa é uma questão que será respondida nos próximos anos. Mas ele é um expert em relojoaria, com recordes expressivos. Temos Jérôme [Lambert, CEO], vindo da Jaeger-LeCoultre, eu mesmo vindo da A. Lange & Söhne e Davide vindo da Tudor. Somos diferentes e acredito que criaremos um portfólio que adicionará uma outra perspectiva na criação de novas coleções.

WTBR: Você acha que as novas criações trarão consigo um pouco da personalidade de Davide, uma pessoa forte, com estilo e bastante apelo esportivo?

JHK: Como você sabe, na relojoaria, o lançamento de produtos não ocorre de um momento para o outro. Os produtos levam mais de um ano para ficar prontos. Existem alguns elementos de refinamento que podem ser ajustados no futuro. Então já estamos com um planejamento para nossas coleções por um ou dois anos a partir de agora. Ele vai contribuir com suas próprias inspirações, mas em termos gerais, o desenvolvimento será visto no futuro. No momento trabalhamos com a coleção 4810 (apresentada durante o SIHH). Não especulamos o que acontecerá no futuro.

WTBR: Como a marca tem visto as novas tecnologias e como são as perspectivas da companhia para o futuro?

JHK: Eu vejo duas perspectivas: uma para relógios mecânicos e uma para o mercado digital. Relógios mecânicos vão além da apresentação da hora. São produtos que permitem a expressão do seu eu, além de todo o desenvolvimento por trás disso e da perspectiva de quem criou; uma expressão de estilo, conhecimento e apreciação da expertise mecânica. Desta forma, eu acho que os relógios mecânicos se manterão como um objeto inspirador. Já na parte digital, estamos conectados e desenvolvendo produtos para este mercado. Isto é algo que não vemos, necessariamente, como uma contradição. Nossa aproximação para isso é dada com uma mistura. Demos a possibilidade de apresentação de um relógio mecânico, ao mesmo tempo que há a conectividade da nossa e-strap, que introduzimos no ano passado e parece ser um produto bastante promissor. É um mundo diferente, pois requer maneiras diferentes de certificação, de apresentação, explicação. Então estamos bastante felizes com os passos que demos neste campo. Montblanc tem um espírito pioneiro que veio de seus fundadores, que compartilhamos nos últimos anos. Também abraçamos o futuro com relação ao universo digital, e pretendemos continuar assim.

WTBR: O tíquete médio dos produtos da Montblanc tem sido bastante acessível. Trata-se apenas de uma estratégia, ou este é o preço real do produto? Pois um turbilhão por 30 mil dólares é algo realmente surpreendente.

JHK: A estratégia está no nosso mote: “Compartilhar a paixão pela alta relojoaria”, o que soa genérico, pois todo mundo em uma feira como o SIHH compartilha desta paixão e quer compartilhar, também, seus produtos. Mas o que queremos dizer é algo diferente. Temos duas manufaturas: Villeret (Minerva) e Le Locle. Com a manufatura de modelos de alto acabamento, em Villeret, nós temos a expertise de altas complicações e em termos de refinamento. Este são os códigos de alta relojoaria. E, graças a esta herança que temos em Villeret, podemos trazer esta experiência em um segmento que não estivemos antes. Então estamos dividindo os códigos de alta relojoaria para que aqueles que estão interessados neste universo possam apreciar. Como o [relógio] Metamorphosis, que aprendemos muito no desenvolvimento dessa peça. Tudo o que aprendemos com ele pôde ser passado para módulos de complicações que produzimos in-house. O que nos permitiu, por exemplo, criar o modelo Orbis Terrarum. Desta forma, pudemos produzir um relógio de hora mundial, agora, na coleção 4810 a um preço de 5.800 Euros.

Modelo Montblanc Metamorphosis. Sua complicação serviu de base para a criação de um dos novos modelos da coleção

Modelo Montblanc Metamorphosis II. Sua complicação serviu de base para a criação de um dos novos modelos da coleção

Nós podemos, então, usar a nossa expertise em Villeret para criar com eficiência elementos de complicações em relógios mais acessíveis. E isso não é apenas verdade em termos de complicações, mas também em códigos de design, quando você observa a coleção 1858 com cronógrafo e taquímetro, com movimento Villeret, que também pegamos os códigos de design de peças minerva dos anos 1930, e traduzimos estes códigos para um relógio de 3.200 Euros. Isso cria conteúdo de relojoaria fina elaborada em Villeret. Esta é nossa estratégia, então nunca diremos barato. Não desenhamos por custo, mas por conteúdo. Essa é nossa preocupação: como podemos criar conteúdo relojoeiro? O consumidor está cada vez mais entendido de alta relojoaria e acaba pedindo cada vez mais por isso. É por isso que prestamos muita atenção nos detalhes de nossos relógios.

WTBR: Qual é o seu ponto de vista a respeito dos mercados emergentes? Temos muitas marcas apostando constantemente na China, Ásia de um modo geral. E percebi que a Montblanc fez o mesmo. Eu gostaria de saber o que você acha sobre estes mercados.

JHK: Desenvolvemos nossas coleção com uma perspectiva global. Montblanc é uma marca muito global. Então nós desenvolvemos nossos relógios de acordo com as mais altas exigências que podemos ter do mercado. Uma de nossas edições limitadas se foca nas Américas, Europa e também Ásia. Então temos um apelo bastante internacional. Quando você pergunta sobre a China, trata-se do que eu disse antes: os consumidores sabem cada vez mais sobre o tema, então eles vão para o conteúdo do produto, o que cada um faz, além de apenas o apelo estético.

WTBR: Com nomes importantes como Hugh Jackman e Rodrigo Santoro, qual é o seu ponto de vista sobre seus embaixadores? Algumas marcas têm seus embaixadores e os usa para a apresentação de edições limitadas, algo que a Montblanc não faz…

JHK: Nós usamos os embaixadores em seu sentido literal. Se definirmos Montblanc em uma única palavra, seria substância. Isso é o que podemos fazer na nossa manufatura. Não inventamos histórias, nós realmente prestamos atenção no produto e falar deles de maneira convincente. Quando se trata de embaixador, deve ser uma relação autêntica. Com Hugh Jackman, por exemplo, ele está realmente interessado no que estamos fazendo. Quando ele está em um palco com o CEO ou em uma simples visita à manufatura, ele cumprimenta as pessoas, pergunta sobre projetos. Ele faz parte da família. Há uma relação vinda de ambos os lados. É fácil pagar pessoas pra comparecerem, mas não é isso que queremos. Queremos embaixadores locais, com uma relação de longa data com a marca.

Hugh Jackman em campanha para a marca

Hugh Jackman em campanha para a marca

 
 

Tags: Montblanc 4810 TwinFly Chronograph 110 Y...Montblanc Metamorphosis II

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