Entrevista: Davide Cerrato, novo diretor da divisão de relógios da Montblanc

Escrito por , 16/02/2017 em Entrevistas, Montblanc, Vídeos com 1 Comentário

De Santa Monica, nos Estados Unidos e Genebra, na Suíça.

TimeWalker_Rallytimer_116103_closeupDavide Cerrato assumiu a direção da divisão de relógios da Montblanc em dezembro de 2015. De lá para cá, teve pouco menos de um ano para trabalhar em conjunto com a equipe de desenvolvimento e fabricação de relógios da companhia na criação da coleção TimeWalker, que foi apresentada oficialmente em janeiro deste ano, durante o Salão Internacional de Alta Relojoaria, que aconteceu em Genebra, na Suíça. Pouco antes, em novembro, o WatchTime Brasil esteve em Santa Monica, no estado da Califórinia, nos Estados Unidos, para conferir os modelos em primeira mão e também conversar com Davide Cerrato sobre sua recente – e brilhante – inserção na companhia.

Antes mesmo de ingressar na Montblanc, Cerrato atuou como diretor de marketing, design e desenvolvimento de produtos na Tudor, marca-irmã da Rolex. E foi lá que ganhou reconhecimento pelo grande sucesso do relançamento da relojoaria mundialmente, o que certamente abriu os olhos de Jérôme Lambert, CEO da Montblanc na época da contratação de Cerrato.

Davide Cerrato 6

A grande novidade deste ano foi o relançamento da linha TimeWalker, que foi redesenhada para se adequar aos traços contemporâneos, sem deixar a identidade inicial da linha, inicialmente lançada 10 anos atrás, de lado. De acordo com Davide Cerrato, o trabalho na coleção teve de ser praticamente reiniciado desde que ingressou na companhia, apenas com a manutenção de alguns traços da caixa.

Leia, abaixo, a entrevista que realizamos com o novo diretor da divisão de relógios da companhia e, ao final do texto, assista a um vídeo publicado em nosso Facebook com os destaques da coleção deste ano.

WatchTime Brasil: Você tem um trabalho muito particular no universo relojoeiro. Costuma imprimir sua identidade nas peças que cria. Mas você chegou na Montblanc há cerca de um ano. Como foi seu processo de criação, com tão pouco tempo de casa?

Davide Cerrato: Foi um processo ético, intenso e rápido ao mesmo tempo. Eu acho que tenho experiência suficiente para estar apto ao DNA da marca com uma certa rapidez. No começo, eu passei muito tempo em Villeret, nos arquivos da companhia, para pegar uma tradução bastante precisa de seu DNA. Passei também muito tempo em Hamburgo para ver o que a Montblanc prepara em seus outros produtos (couro, instrumentos de escrita), conversei com muitas pessoas para ter uma ilustração em 360 graus do que a companhia é. Depois te tudo isso, eu já tinha em mente uma ideia muito clara do que fazer. Me encontrei com o CEO Jérôme Lambert diversas vezes para discutir o projeto, que conta com traços bastante esportivos e profissionais. Eu tinha ideia em mente da produção de um cronógrafo profissional ligado ao universo das corridas. O processo é uma engrenagem, onde você pega mais informação aqui, o design te traz uma identidade ali, tudo quase que organicamente.

Montblanc TimeWalker Chronograph 1000 Limited Edition 18, principal lançamento da companhia, permite marcar intervalos com precisão de um milésimo de segundo

Montblanc TimeWalker Chronograph 1000 Limited Edition 18, principal lançamento da companhia, permite marcar intervalos com precisão de um milésimo de segundo

WTBR: A indústria relojoeira tem um perfil muito conservador. Mas você teve espaço para colocar seus traços nos lançamentos. De onde veio a inspiração para trabalhar nesta nova coleção?

DC: Eu já tinha em mente realizar uma ligação entre o mundo de corridas de carro com cronógrafos. Eu gastei algum tempo na compreensão do primeiro Timewalker, lançado em 2007, para ter certeza que haja um legado entre o novo e o antigo e manter sinais entre os dois. Tão logo isso aconteceu, eu comecei a fazer rascunhos de mais ou menos como seria a cara deste cronógrafo. E eu posso te dizer que os traços aplicados desde os primeiros desenhos, em termos de estrutura do mostrador, por exemplo, estão bem perto do que obtivemos como resultado final. Como por exemplo a ideia de tirar seis números do mostrador, porque seis números a mais dão muita informação, de manter os contadores do cronógrafo na vertical, deixar a extremidade dos ponteiros mais pontiaguda para melhor precisão na leitura das horas…

Claro que depois há a adição de detalhes da caixa, volume, detalhes. A ideia de ter um bisel cerâmico giratório veio depois. Então você trabalha nesses detalhes menores, que levam algum tempo para serem finalizados.

WTBR: Quanto tempo você levou para desenhar esta nova coleção? Você esteve inserido no desenvolvimento desta coleção 100% do tempo ou quando você entrou na Montblanc ela já estava parcialmente encaminhada?

DC: No começo de janeiro de 2016, tivemos que recomeçar o trabalho do zero. Já havia um pouco desenvolvido, mas mudamos completamente a direção do trabalho. O que mantivemos foi o volume da caixa, pois era bastante bonito e confortável de usar, mas houve realmente uma mudança de direção em janeiro. Desta forma, em dez meses tivemos o desenvolvimento da coleção completa.

WTBR: Você teve algum problema com os modelos anteriores que haviam sido desenhados?

DC: Como nós mudamos totalmente de direção e eu decidi transformá-la em uma linha esportiva, isto já significava uma série de mudanças que precisariam ser feitas na direção do design. Então foi necessário que retornássemos ao rascunho e revessemos toda a linha.

Linha inclui modelo Rally Timer, que pode ser usado como relógio de bolso, pulso, mesa ou no painel de um carro

Linha inclui modelo Rally Timer, que pode ser usado como relógio de bolso, pulso, mesa ou no painel de um carro

WTBR: A linha TimeWalker é bastante forte na América Latina por conta de sua esportividade, o clima da região, etc. Você acha que esta nova coleção continua com tal foco?

DC: Com certeza. Ela é ainda mais dinâmica, mais forte, masculina e orientada a um universo outdoor, que eu acho que ela se encaixará perfeitamente com a América do Sul, assim como também acho que agradará os mercados dos Estados Unidos e Reino Unido, já que são mercados muito movidos pelo esporte.

WTBR: Você teve um briefing que pudesse guiar esta coleção?

DC: Primeiro de tudo era o relançamento da linha TimeWalker, que é uma coleção bastante forte há dez anos. Depois de um certo tempo, se você não renovar uma linha, ela decairá como um todo. Em 2016, tivemos a linha 4810 e já estava no cronograma o grande relançamento da linha Timewalker. Depois, como decidimos coloca-la realmente em um lado bastante esportivo, este produto se tornou uma alavanca para desenvolver um mercado específico, como Reino Unido e um pouco da Europa, que são potenciais para a marca.

WTBR: Recentemente a Montblanc fez o lançamento da e-strap, que estava dentro da linha TimeWalker. Esse acessório continuará a fazer parte da coleção?

DC: A e-strap foi lançada dos anos atrás e já atingiu o fim de sua vida útil, como todos os componentes eletrônicos. Desta forma, trabalhamos para o futuro, mas não acho que um acessório como este voltará para a linha TimeWalker.

WTBR: Como a Montblanc, em geral, vê a inserção da tecnologia do mundo relojoeiro?

DC: Nós damos muita atenção para isso, pois é um ótimo jeito de entrar em contato com a geração mais nova. Para mim ainda não é muito claro o que pretendemos criar, estamos muito no começo. Para mim é apenas algo a mais que deverá vir, sem “matar” qualquer outro de nossos produtos. Como vemos hoje pessoas correndo com um Garmin e depois trocam para um modelo mecânico para uma outra ocasião, e depois vestem um terceiro relógio para ir para a academia… Há espaço para relógios conectados com funções específicas, quando dialogam com o ambiente. Estamos mudando para um mundo em que o usuário não tem apenas um relógio, mas sim vários deles para uso em diferentes ocasiões.

WTBR: E qual é o seu ponto de vista a respeito desses novos relógios conectados?

DC: Nós acompanhamos com atenção, porque não temos ainda uma ideia muito clara do que virá pela frente. O primeiro deles era algo mais limitado e ligado diretamente ao celular. Agora, nesta segunda geração, já há uma certa independência, o que faz com que eles sejam mais relevantes. Mas estamos realmente acompanhando o que está acontecendo.

WTBR: Temos uma diversidade de novos meios de comunicação e formas de comunicação online. Como você vê estes novos meios de comunicação como uma plataforma de mídia?

DC: Eu vejo algo muito interessante e muito importante de ser seguido. No mundo da relojoaria, se você olhar mais pela perspectiva do usuário do que da perspectiva da marca em si, verá a troca de experiências e conteúdos entre colecionadores pelo Instagram, o que é algo realmente muito interessante. Há um alcance muito interessante desde divulgação de modelos de pulso, alguns com uma temática muito específica, até aqueles que comercializam relógios por meio de contas no Instagram. É uma plataforma muito nova e que as pessoas entram em contato, é algo extremamente interessante.

Modelo de entrada, com horas, minutos, segundos e data

Modelo de entrada, com horas, minutos, segundos e data

WTBR: Como você vê o futuro dos relógios mecânicos?

DC: Eu vejo de maneira muito clara. Ele se manterá como algo importante para homens, tanto como um objeto que o fará expressar sua personalidade, seu conhecimento ou mesmo um estilo particular, alcançará sua “acessorização” e será uma expressão muito forte de cultura. Eu tenho feito viagens ao redor do mundo e eu passei por diversos países nos últimos meses e estive em Londres recentemente. Eu estava conversando com um designer e, na discussão, comentamos sobre listar quantos itens culturais você tem num relógio. Chegamos à conclusão que é algo surpreendente. Temos tipografia, que se envolve com a história, no formato dos números, indicadores, o que está escrito no dial, o caractere usado. Há a parte mecânica, com suas complicações. Há o design, com formatos e cores, o material usado… Existem tantos elementos culturais ali. E quando você vê pessoas malucas, colecionando milhares de relógios e tendo espaços dedicados para o armazenamento de todos eles, gastando centenas de milhões de dólares, é aí que você entende a ligação do ser humano com a cultura e histórias fantásticas no final.

Assista, abaixo, ao vídeo que gravamos em Genebra, na Suíça, com alguns dos principais lançamentos da companhia:

 
 

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1 Comentário

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  1. Sylvio F. Bertoli disse:

    Por algum motivo que não consigo entender, nunca consegui confiar em gente que usa gravata borboleta sem estar vestindo smoking. Pelo menos o Davide é coerente . Alguns dos relógios desenvolvidos sob a sua batuta , se parecem com a foto dele na da reportagem ou seja:- informação demais. Muitas vezes é bom lembrar que menos é mais.

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